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23/02/2018 06h14

Jogos Olímpicos de Inverno

Isadora Williams fica na 24ª posição em PyeongChang

Ainda que a performance tenha sido aquém da esperada no programa longo, brasileira se tornou a melhor patinadora latino-americana na história olímpica
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Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

 

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Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

Mesmo decepcionada com a execução de seu programa longo, a brasileira Isadora Williams obteve, nesta quinta-feira (22.02), o melhor resultado de uma atleta latino-americana em competições olímpicas da patinação artística.

Ela ficou na 24ª posição dos Jogos Olímpicos de Inverno PyeongChang 2018, realizados na Coreia do Sul. Na quarta-feira, ela havia feito a melhor nota na carreira no programa curto e obtido a 17ª melhor marca entre as 30 concorrentes.

Durante os quatro minutos de uma música composta para a personagem Nyah (interpretada pela atriz Thandie Newton) no filme "Missão: Impossível 2", Isadora cometeu alguns erros e se desconcentrou. Ela mesmo comentou que no último treino antes de entrar no rinque havia executado todos os elementos com perfeição. "Fiz um programa curto ótimo há dois dias e estava confiante, pois o meu programa longo é o que mais gosto de fazer. Fiquei muito nervosa na hora da apresentação. Quando cometi o primeiro erro, desconcentrei e até fiquei sem sentir os meus pés no final", declarou a patinadora de 22 anos.

"Mesmo com essa decepção de saber que minha performance poderia ter sido melhor, sem dúvida a minha experiência aqui em PyeongChang é melhor do que foi há quatro anos, em Sochi. Patinei melhor e estava mais confiante. É isso que vou levar desses Jogos"
Isadora Williams

Os 88.44 pontos obtidos nesta sexta não foram suficientes para melhorar seu ranking na competição. Com o total de 114.18 pontos, Isadora não repetiu o largo sorriso ao ter sua nota anunciada no telão e nos alto-falantes da Gangneung Ice Arena, na região costeira dos Jogos de Inverno.

Na patinação, a nota é composta por elementos técnicos (saltos, steps, spins e movimentação no gelo) e pela parte artística (componentes do programa como figurino, coreografia e interpretação da música). A soma do resultado dos programas curto e longo define a ordem final de classificação.

"Mesmo com essa decepção de saber que minha performance poderia ter sido melhor hoje, sem dúvida a minha experiência aqui em PyeongChang é melhor do que foi há quatro anos, em Sochi. Patinei melhor e estava mais confiante. É isso que vou levar desses Jogos", acrescentou Isadora. Em sua primeira Olimpíada, na Rússia, em 2014, ela ficou na 30ª colocação.

Isadora agradeceu muito a torcida e o carinho que recebeu dos brasileiros na Coreia do Sul e, principalmente, nas redes sociais. "O apoio dos torcedores brasileiros me ajudou muito, é muito gratificante. Realmente espero que surjam novos talentos no Brasil depois de verem uma atleta representar o país em um palco olímpico", contou.

A partir de agora, Isadora se concentrará para o Mundial de Patinação, que será disputado entre  19 e 25 de março, em Milão (Itália). "Depois do Mundial, não sei ainda. Vamos ver como será o futuro", finalizou a patinadora.

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Isadora no rinque, ao iniciar sua apresentação; distribuindo autógrafos após a prova e ao lado da irmã Sophia, da mãe Alexa e do pai Michael. Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

Cerimônia de Encerramento

Em relação a um futuro muito mais próximo, Isadora ficou orgulhosa ao receber a notícia de que será a porta-bandeira brasileira na Cerimônia de Encerramento dos Jogos Olímpicos PyeongChang, neste domingo (25.02). Logo após a competição, o chefe da missão brasileira, Stefano Arnhold, anunciou a decisão. "Isadora fez história ao ser a primeira sul-americana a chegar a uma final da patinação artística nos Jogos Olímpicos e encantou a todos com seu carisma e talento. Nada mais justo do que levar a Bandeira do Brasil na Cerimônia", afirmou Stefano.

Mesmo já tendo sido a porta-bandeira da delegação brasileira nos Jogos de Sochi 2014, o anúncio de que repetiria o feito em PyeongChang pegou a atleta de surpresa. "É uma honra muito grande carregar a Bandeira Brasileira mais uma vez", comemorou a patinadora.

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Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

Dupla russa

O ouro e a prata ficaram com as favoritas, que competem pela equipe de Atletas Olímpicos da Rússia (uma vez que o país está suspenso pelo Comitê Olímpico Internacional). Alina Zagitova, de apenas 15 anos, sob o som de Don Quixote, de Leon Minkus, fez uma apresentação que beirou a perfeição. Ela obteve 239.57 pontos e conquistou o primeiro ouro da equipe em PyeongChang. Evgenia Medvedeva fez 238.26 e ficou com a prata. O bronze foi para a canadense Kaetlyn Osmond, com 231.02.

Conheça Isadora Williams

Isadora nasceu na cidade de Marietta, próxima a Atlanta, na Georgia, nos Estados Unidos. Filha de mãe brasileira e pai norte-americano, ela possui dupla cidadania. Começou a fazer aulas de patinação muito nova, aos cinco anos de idade. Desde o início da carreira, Isadora sempre optou por competir pelo Brasil. Em 2009, com 13 anos, passou a participar de competições internacionais sob a bandeira brasileira.

Em 2013, conquistou a 25ª colocação no Mundial Senior, ainda hoje a melhor marca brasileira na competição. No mesmo ano, Isadora Williams conquistou uma das vagas olímpicas disponíveis para Sochi 2014, quando se tornou a primeira latino-americana a competir na patinação artística em uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno. Com apenas 18 anos, a brasileira não conseguiu passar para o programa longo, ficando em último lugar entre as 30 concorrentes no programa curto.

Após a participação em Sochi, Isadora percebeu que tinha potencial para evoluir. E resolveu encarar seu sonho de frente. Saiu da casa dos pais e foi morar sozinha em Little Falls, no estado de Nova Jersey (EUA), para treinar sob a coordenação dos técnicos Igor Lukanin e Kristin Fraser. A jovem amadureceu suas apresentações e incorporou novos elementos. A rotina da brasileira é dura. Isadora estuda Nutrição e Negócios do Esporte na Montclair State University, além de dar aulas de patinação para crianças.

Em PyeongChang 2018, Isadora alcançou sua melhor pontuação na carreira no programa curto e ficou entre as 24 que fazem a apresentação do programa longo.

Assim como todos os outros integrantes da delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de Inverno PyeongChang 2018, Isadora é integrante da categoria Olímpica do Programa Bolsa Atleta do Ministério do Esporte. Ela faz parte do programa desde 2013. Atualmente, 72 atletas brasileiros de modalidades que compõem os Jogos de Inverno são apoiados, com investimento de R$ 1,1 milhão ao ano.

Entrevista em vídeo

Assista a uma entrevista em que Isadora fala sobre porque escolheu competir pelo Brasil (ela nasceu nos Estados Unidos e tem dupla nacionalidade), analisa sua experiência olímpica, revela como foi a preparação para PyeongChang e ressalta a importância do apoio do Bolsa Atleta.

 
Galeria de fotos dos Jogos Olímpicos de Inverno PyeongChang 2018 (imagens disponível para uso editorial gratuito)

 PyeongChang 2018 - Jogos Olímpicos de Inverno

 

De PyeongChang (Coreia do Sul), Abelardo Mendes Jr - rededoesporte.gov.br