Você está aqui: Página Inicial / Notícias / Sem tempo ruim: brasileiras festejam estreia olímpica do park

Geral

04/08/2021 05h58

SKATE

Sem tempo ruim: brasileiras festejam estreia olímpica do park

Yndiara Asp, Dora Varella e Isadora Pacheco saíram da pista sem medalhas, mas mostraram o espírito do skate ao consolar japonesa que caiu e comemorar com as vencedoras

Uma das cenas mais bonitas dos Jogos Olímpicos de Tóquio aconteceu nesta quarta (04.08), na pista de skate do Ariake Urban Sports Park. Na final da categoria park, a japonesa Misugu Okamoto tinha mais uma volta – a última da competição – para tentar evitar que a britânica Sky Brown lhe tirasse a medalha de bronze das mãos. Misugu entrou na pista determinada, enfileirou uma série de belas manobras, mas, quase no fim da volta, errou e caiu. Era o fim do sonho de subir no pódio. Misugu chorou, mas levantou-se, pegou seu skate e saiu da pista.

Foi então que todas as outras competidoras – com exceção de Sky Brown, que na hora comemorava seu bronze – caminharam até Misugu e a abraçaram, formando um círculo de carinho, com a japonesa no centro.

Yndiara e Dora: dia inesquecível. Foto: Miriam Jeske/COB

“O skate ensinou isso pra gente. A gente quer ver todo mundo feliz, com sorriso no rosto, se divertindo. Acertando ou errando, a gente que ir lá dar os parabéns ou ajudar a pessoa. A gente quer ver todo mundo dar o seu melhor para sair todo mundo feliz.  O resultado é só consequência. A gente queria passar uma energia boa para ela naquele momento”, explicou a brasileira Dora Varella, que terminou a competição em sétimo lugar, com uma nota de 40,42.

Dora e as outras duas brasileiras que competiram no park, Yndiara Asp e Isadora Pacheco, também ficaram felizes pela conquista da britânica Sky Brown, que virou “quase uma brasileira” durante os Jogos Olímpicos.

“Na Vila (Olímpica), a gente ia jantar junto, ia almoçar, andava de bike, ia pra lá e pra cá. Ela sempre estava lá no prédio do Brasil, quase uma brasileira já”, brincou Isadora Pacheco, que não conseguiu avançar à final e terminou a competição na décima colocação, com nota 37,08. “Ela realmente é muito querida como ela parece ser. Ela queria pintar uma com a gente, queria fazer tudo com a gente. É nossa parça”, completou Yndiara Asp, que terminou no oitavo lugar, com 37,34.

Investimento federal

Integrado ao Bolsa Atleta a partir da inclusão da modalidade no programa Olímpico, o skate recebeu investimento de R$ 3,2 milhões no ciclo para Tóquio. Os recursos foram suficientes para a concessão de 65 bolsas para atletas da modalidade. Yndiara Asp, Dora Varella e Isadora Pacheco são beneficiadas pelo programa Bolsa Atleta, todas na categoria Pódio, a mais alta.

Elas foram unânimes em ressaltar a importância do apoio para suas carreiras e também para o desenvolvimento do skate brasileiro. “Com certeza ajudou muito. A gente pode treinar no mais alto nível. Deu condição de a gente treinar o máximo que a gente pode para estar aqui”, disse Dora Varella.

Esse espírito de companheirismo ficou claro também depois da prova, quando as três brasileiras foram dar entrevista juntas. “Eu estou muito feliz só de estar aqui representando o skate e eu sabia que, se eu não me divertisse, não iria valer a pena. Fiquei repetindo isso na minha cabeça antes da volta. Graças a Deus consegui acertar a volta que eu planejei para essa semana, que eu vim treinando nesses últimos dias, e minhas amigas estão aqui do meu lado. Está todo mundo feliz e isso é o que importa’, resumiu Dora Varella.

A opinião foi compartilhada por Isa e Yndiara. Aos 16 anos, Isadora Pacheco viveu um dia inesquecível. “Antes do campeonato, eu tentei focar ao máximo na respiração, para ficar tranquila, mas, mesmo assim, a ansiedade estava junto ali comigo. Aí eu fui com tudo mesmo, com a faca nos dentes, e consegui acertar a primeira volta, o que já me deu um baita alívio. Foi uma voltona, eu gostei muito. Na segunda, eu errei, e na terceira era tudo ou nada. A última manobra mesmo eu nem tinha treinado, foi na hora, na emoção. Mas foi muito massa, eu gostei muito. O melhor dia da minha vida”, avaliou.

Yndiara, como a amiga, gostou tanto que já está pensando em Paris. “Eu estou muito feliz por ter vivido essa experiência. Com certeza vou levar para o resto da minha vida. Espero estar lá em 2024 acertando as manobras que não consegui acertar aqui hoje”. Agora oficialmente atletas olímpicas, as três já decidiram até as tatuagens que vão fazer: os arcos olímpicos e um tucano, detalhe no uniforme da delegação brasileira de skate.

Isadora Pacheco: melhor dia da vida. Foto: Miriam Jeske/COB

Mesmo felizes com a participação, as brasileiras admitiram que precisam elevar o nível para competir com as japonesas. O ouro ficou com Sakura Yosozumi e a prata com Kokona Hiraki. “A gente viu que o nível tá muito alto e o que a gente mais vai fazer agora é treinar para conseguir superar isso. Nosso sonho é fazer aquelas manobras que elas fazem e elevar o nível do skate. Agora é treinar muito para que isso aconteça”, analisou Isadora.

Juventude no pódio

Assim como ocorreu na categoria street, o pódio do park teve uma média de idade bem baixa. A medalhista de ouro, Sakura, tem 19 anos. Kokona, que ficou com a prata, tem apenas 12 anos e é a mais jovem medalhista dos Jogos de Tóquio. Já a britânica Sky Brown, que ficou em terceiro, tem 13 anos.

“A gente tem visto meninas mais novas nos campeonatos e nos pódios. Eu vejo que elas já vêm com uma cabeça mais evoluída, sem limitações, sem achar que não conseguem, que isso é coisa de menino. Elas vêm sabendo que conseguem fazer o que elas quiserem. Acho que essa é a mensagem dessa galera mais nova. A gente, querendo ou não, foi acostumado que tal coisa é só de menino, só os meninos conseguem fazer isso. E isso influencia também no nível de skate. Elas vêm quebrando esses padrões. É muito importante pro skate feminino evoluir”, opinou Yndiara Asp, que, aos 23 anos, é a mais experiente entre as brasileiras.

A vez do masculino

Na noite desta quarta (04.08) no Brasil será a vez de os homens entrarem na pista do Ariake Urban Sports Park. O Brasil terá três representantes na disputa: Luiz Francisco, Pedro Barros e Pedro Quintas. As disputas estão marcadas para começar às 21h, no horário de Brasília. Os oito melhores na fase classificatória avançam para a final, marcada para 0h30 de quinta (05.08)

Mateus Baeta, de Tóquio, no Japão – rededoesporte.gov.br