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Ginastica artística

16/08/2016 20h53

GINÁSTICA ARTÍSTICA

Francisco Barretto é quinto na barra fixa e Brasil fecha modalidade com três medalhas

Ouro ficou com o alemão Fabian Hambuechen, prata, com o americano Danell Leyva, e bronze, com britânico Nile Wilson. No feminino, Simone Biles encantou o ginásio no solo

Era a última final, no último dia de competição da ginástica artística nos Jogos Olímpicos do Rio. Depois das pratas de Arthur Zanetti e Diego Hypolito, e do bronze de Arthur Nory, pequenas falhas de execução separaram o Brasil de mais um pódio na modalidade. Francisco Barretto Júnior, quinto colocado nas classificatórias da barra fixa, tinha 6.900 como nota de dificuldade, contra 6.800 do britânico Ney Wilson, medalhista de bronze na final desta terça-feira (16.08), na Arena Olímpica do Rio. O brasileiro terminou novamente com a quinta colocação, mas, com um largo sorriso no rosto, comemorou a consagração da melhor campanha olímpica do país.

“Foi uma prova muito bonita aos olhos do espectador, mas eu tive três erros técnicos que me custaram o terceiro lugar ou até o segundo”, avalia Chico, lamentando o “pulinho” que impediu uma saída cravada do aparelho. De nota final, ganhou 15.208. O holandês Epke Zonderland, bicampeão mundial e ouro em Londres na barra fixa, contudo, teve uma frustração bem maior. Com uma queda assustadora, de rosto no colchão, no meio de uma série bastante elaborada, o atleta recebeu 14.033 e amargou o sétimo lugar. O ucraniano Oleg Verniaiev, que buscava uma terceira medalha no Rio após o ouro nas paralelas e a prata no individual geral, caiu de joelhos na saída, tirou 13.366 e ficou em oitavo.

Mesmo fora do pódio, Chico comemorou a participação na final olímpica. Foto: Ricardo Bufolin/CBG

Melhor para o alemão Fabian Hambuechen (15.766), prata em 2012 e bronze em 2008, que levou o ouro, seguido pelo norte-americano Danell Leyva (15.500) e pelo britânico Nile Wilson (15.466). Enquanto os três recebiam as medalhas e o hino da Alemanha era executado, Chico Barretto conversava com a tranquilidade de quem, mesmo sem a sonhada medalha no peito, demonstrava alívio e satisfação. “Há três anos, eu achava que uma final olímpica era impossível. Isso provou que a gente melhorou muito e que tudo é possível para nós”, ressalta.

Há três anos, eu achava que uma final olímpica era impossível. Isso provou que a gente melhorou muito e que tudo é possível para nós”
Francisco Barretto

A evolução da ginástica brasileira foi notória ao longo dos Jogos Rio 2016. Antes deste mês, o mundo nunca tinha visto a seleção masculina competindo completa em uma edição olímpica. Até então, a representação nacional limitavam-se a, no máximo, três atletas. Foi assim em Londres, com Arthur Zanetti, Diego Hypolito e Sérgio Sasaki. O ouro nas argolas seguia como único protagonista de um pódio olímpico. Tudo isso foi transformado dentro de casa. Não só no país ou no Rio de Janeiro, mas na própria arena usada para treinos dos brasileiros, palco ainda dos Jogos Pan-Americanos de 2007 e do evento-teste, em abril.

Além das expectativas

Até o Mundial do ano passado, o foco foi a equipe. Com a inédita classificação olímpica do grupo, a missão inicial estava cumprida. Agora era hora de priorizar os aparelhos e conseguir o maior número possível de finais. Para isso, o time voltou a escalar Diego Hypolito, com esperança de uma final no solo. O elenco, contudo, superou as expectativas.

“A gente achava que a real possibilidade era de duas medalhas e sete finais”, conta Leonardo Finco, coordenador da seleção masculina. O objetivo foi alcançado com um pódio de sobra. “Claro que trabalhamos muito com a perspectiva de pegarmos alguma de ouro, mas foi bem positivo. O resultado de equipe me agradou muito, e nas finais individuais eles mostraram que estão na briga com as maiores potências”, destaca.

O sexto lugar por equipes, a dobradinha de Diego e Nory no solo, além da prata de Zanetti nas argolas, confirmaram o bom momento da modalidade. Sérgio Sasaki ainda superou o desempenho de Londres e um ano de lesões e incertezas, terminando com o nono lugar no individual geral, seguido por Arthur Nory, em 11º.

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Investimentos

Os resultados no Rio consagram um leque de investimentos feitos na ginástica artística nos últimos anos. Entre 2010 e 2014, o Ministério do Esporte celebrou três convênios com a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), no valor total de R$ 8,7 milhões. O principal deles (R$ 7,2 milhões) assegurou a compra de mais de mil equipamentos, para 16 centros de treinamento, em 13 cidades, na maior importação já feita pelo Brasil em 41 anos.

“O nosso maior problema era que a gente treinava com aparelho nacional e ia competir em aparelhos com que não estávamos acostumados. O maior ganho que a gente teve foi de equipar o país”, acredita Francisco Barretto. “Que a nossa equipe possa servir de exemplo para a criançada, de espelho para a nova geração. A gente conseguiu mostrar que nada é impossível. A próxima geração pode ser melhor que a gente, mas tem que treinar como a gente treinou para estar aqui”, avisa o ginasta, bem humorado.

Já no feminino, a equipe não conseguiu superar o resultado de Pequim e terminou com a oitava colocação. Flávia Saraiva e Rebeca Andrade, contudo, se garantiram nas finais. Jade entrou como substituta de Flavinha no individual geral e, por lesão, não concluiu a prova. Enquanto isso, Rebeca terminou em 11º lugar na competição de todos os aparelhos, e Flávia, mesmo com dois desequilíbrios, se tornou a quinta do mundo na trave.

“O feminino está se renovando e ainda vai crescer para o próximo ciclo. No masculino, montamos um grupo grande no início e isso favoreceu para que a gente chegasse aqui bem preparado para as finais e para esse tipo de resultado”, compara Finco.

Novas regras

Até o próximo ciclo, os países ainda terão que passar por um período de adaptação às novas regras que devem ser implantadas no esporte pela Federação Internacional de Ginástica, a partir do ano que vem. Segundo Leonardo Finco, algumas delas podem ser bem radicais.

“Tudo indica que a equipe vai diminuir de cinco para quatro atletas, e isso é perigoso porque coloca os ginastas numa pressão maior, em que ninguém pode errar”, explica. “A federação internacional está indicando também que, fora a equipe, poderão entrar outros dois ginastas como especialistas. Isso nos sugere que, daqui para a frente, teremos que fazer dois tipos de trabalho”, acrescenta, já pensando no planejamento para os Jogos de Tóquio, em 2020.

Outro ajuste envolverá a importância das Copas do Mundo, que poderão servir de classificatória olímpica para atletas especialistas. “Isso nos faz rever toda a nossa política de utilização das Copas do Mundo. Nós usamos hoje para testar ginastas, experimentar estratégias, mas, se a regra for para esse lado, teremos que encarar diferente, trabalhando com os mais especialistas para gerar vaga olímpica”, pondera o coordenador.

Simone Biles durante a série de solo que lhe valeu o quarto ouro olímpico nos Jogos Rio 2016. Foto: Getty Images
“É muito louco. Foi uma experiência maravilhosa e eu não poderia estar mais orgulhosa de mim mesma”
Simone Biles

Brilho americano

A ginástica não poderia ter um encerramento melhor na competição olímpica do que com a genialidade de Simone Biles. Em um solo irrepreensível, a norte-americana somou 15.966 e levantou o público, compensando o desequilíbrio da véspera, na trave, que lhe rendeu um bronze inesperado. “Estou um pouco aliviada porque foi uma longa jornada. Eu aproveitei cada momento. Competir tantas vezes nesta semana foi um pouco cansativo. Eu só queria terminar com uma boa nota”, comenta a atleta.

Biles deixa o Rio de Janeiro ainda com outros três ouros, no individual geral, no salto e por equipe. “É muito louco. Foi uma experiência maravilhosa e eu não poderia estar mais orgulhosa de mim mesma”, comemora. Alexandra Raisman (15.500), também dos Estados Unidos, e Amy Tinkler (14.933), da Grã Bretanha, completaram o pódio do solo feminino. Já nas paralelas masculinas, ouro para o ucraniano Oleg Verniaiev (16.041), prata para o americano Danell Leyva (15.900), e bronze para o russo David Belyavskiy (15.783).

Ana Cláudia Felizola – brasil2016.gov.br