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Atletismo

23/10/2021 11h57

Ginástica Artística

Com ouro no salto e prata nas assimétricas, Recebeca se torna a primeira brasileira com duas medalhas num mesmo mundial

A campeã olímpica fez os dois melhores saltos da competição na fase decisiva no Japão e conquistou o título com folga

Mais alto, mais rápida, mais veloz, mais explosiva. Rebeca Andrade praticamente cravou seus dois saltos e se tornou campeã no Mundial de Katyushu. Depois, em seu aparelho favorito, as paralelas assimétricas, conquistou a prata, um feito com o qual sonhava há tempos.

Desta forma, Rebeca se torna a primeira representante da ginástica do Brasil a obter duas medalhas numa mesma edição de Mundial, repetindo o que fizera nos Jogos Olímpicos de Tóquio, onde obteve ouro no salto e prata no individual geral.

Rebeca no topo do pódio no salto: repetição no Mundial do título conquistado nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Foto: Confederação Brasileira de Ginástica

“Estou muito feliz com esse resultado. As duas medalhas são bem importantes. Depois da Olimpíada, eu tinha que controlar o que estava sentindo e consegui. Queria muito essa medalha na paralela, há muito tempo”, disse a medalhista, que já percebe a importância que tem para o esporte brasileiro.

"As duas medalhas são bem importantes. Depois da Olimpíada, eu tinha que controlar o que estava sentindo e consegui. Queria muito essa medalha na paralela. Entendo bem o lugar e a posição em que estou. Trabalho com força, vontade e garra. Tudo o que você faz assim, dá certo”
Rebeca Andrade

“Hoje faço parte das lendas do Brasil. Entendo bem o lugar e a posição em que estou. Trabalho com força, vontade e garra. Faço tudo com amor e alegria. Tudo o que você faz assim, dá certo”.

Supremacia

Primeiro, a guarulhense de 22 anos confirmou a supremacia no salto sobre a mesa, apenas dois meses e meio depois de se sagrar campeã olímpica no Japão. É a segunda vez que uma brasileira sobe ao degrau mais alto do pódio no Mundial, 18 anos depois de Daiane dos Santos, campeã no solo em Anaheim-2003.

Rebeca fez um Cheng (15,133 pontos) e um Yurchenko com dupla pirueta (14,800) e ficou com média de 14,966 pontos. Foram os dois melhores saltos da final. Como resultado, livrou quase um ponto de vantagem sobre a vice-campeã, a italiana Asia D’Amato (14,083). A russa Angelina Melnikova completou o pódio, com 13,966.

Depois de subir ao pódio com a bandeira brasileira no lugar mais alto, Rebeca foi competir nas paralelas. Com bela apresentação, registrou 14,633 e garantiu a prata, numa final equilibradíssima. O ouro coube à chinesa Xiaouyan Wei, com um décimo a mais. O bronze ficou com outra chinesa Rui Luo, também com 14,633. No desempate, Rebeca ficou em segundo graças à melhor execução.

Durante a execução, Rebeca demonstrou enorme sangue frio, habilidade e inteligência, corrigindo a série de uma forma que apenas especialistas em ginástica puderam perceber. Ela havia feito um Tkachev (largada carpada) seguido de um Pak (passagem para a barra baixa).

Em seguida, teria que fazer um elemento de voo para a barra alta, sem permanecer na baixa. Ao não conseguir fazê-lo, improvisou um giro na barra baixa. Se fizesse na saída um giro de sola, como previsto, seria o quarto elemento desse tipo, e não contaria para a nota. Então fez uma saída mais simples, um Tsukahara sem combinação, salvando sua série.

Individual geral

O brasileiro Caio Souza melhorou três posições em relação à sua classificação na fase qualificatória e terminou na 13ª posição no individual geral. O campeão pan-americano fez apresentações muito boas nas argolas, no salto, nas barras paralelas e na barra fixa, e, mesmo com uma apresentação abaixo no solo (recebeu a 12ª nota entre os 24 finalistas), chegou ao último rodízio, no cavalo com alças, na 3ª posição, com chance de medalha. No aparelho em que tem mais dificuldades, no entanto, sofreu uma queda, o que o afastou do pódio.

“Saio mais satisfeito do que no final da qualificação. Consegui melhorar algumas posições. Tive a queda do cavalo. Infelizmente, acontece. Agora é esfriar a cabeça, que domingo tem mais”, disse o ginasta, referindo-se à final das barras paralelas.

Caio será o primeiro representante do Brasil numa final de Mundial nesse aparelho em toda a história da competição. No mesmo dia, Rebeca disputa a final da trave.

Fonte: Confederação Brasileira de Ginástica