Natação
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Brasil fica em 5º no revezamento 4 x 100m. Nos 100m peito, João é 5º e Felipe é 7º
Com a estreia de Michael Phelps nos Jogos Rio 2016 e duas finais com brasileiros, o domingo se tornou um dos mais esperados da natação. Quem acompanhou a sessão noturna no Estádio Olímpico de Esportes Aquáticos não testemunhou um pódio dos anfitriões, mas viu três quebras de recordes mundiais e o multicampeão norte-americano aumentar a coleção de medalhas olímpicas para 23, com mais um ouro. Ele veio no revezamento 4x100m livre.
Além dos Estados Unidos com Phelps, a Austrália tinha Cameron McEvoy, a França trouxe Florent Manaudou, a Rússia veio com Vladimir Morozov, apenas para citar alguns dos nadadores de altíssimo nível nos quartetos que fizeram a final. O Brasil tinha Marcelo Chierighini, Nicolas Oliveira, Gabriel Santos, João de Lucca e milhares de vozes tentando diminuir alguns segundos do tempo da equipe da casa.
- Equipe do 4 x 100m livre dos Estados Unidos, com Michael Phelps no time, conquistou o ouro. Fotos: Getty Images
Os brasileiros vieram de mãos dadas e foram ovacionados. Era a volta a uma decisão nesta prova após 16 anos. Aplausos intermináveis também na entrada da equipe dos Estados Unidos, sobretudo pela presença de Michael Phelps.
Chieriguini abriu o revezamento com 48s12, entregando em terceiro para Nicolas Oliveira. A segunda parcial foi a de Phelps, que estava leve, sorridente e veloz: com 47s12, ele levou os norte-americanos para a liderança, enquanto Nicolas fez 48s26 e o Brasil passou para quinto. Na terceira “perna”, Manaudou nadou para 47s14 e deixou a França em segundo, já o Brasil fechou em sexto com os 48s72 de Gabriel Santos. Na última parcial, Nathan Adrian fez incríveis 46s97, assegurando o primeiro lugar para os EUA (total de 3m09s92). A França permaneceu em segundo (3min10s53) e a Austrália, com os 47s cravados de McEvoy, ficou em terceiro (3m11s37). João de Lucca encerrou a prova brasileira em quinto com a parcial de 48s11 e total de 3m13s21.
“É lógico que a gente queria o pódio, mas fechar em quinto numa prova muito forte, mais forte do que a gente esperava, e dentro de casa, é uma experiência muito boa. Não sobrou nada, demos tudo. Só temos que agradecer a torcida”, disse Nicolas Oliveira.
“É lógico que a gente queria o pódio, mas fechar em quinto numa prova muito forte é uma experiência muito boa. Não sobrou nada, demos tudo. Só temos que agradecer a torcida”
Nicolas Oliveira
“Se olhar no papel, vai ter sempre algo que possa melhorar, mas todo mundo brigou até a última força. Ouvir o pessoal torcendo pra gente me deu uma força maior ainda, um gás que consegui colocar para fora. Dei tudo de mim. E agora é continuar brigando, a competição ainda não acabou”, acrescentou João de Lucca.
100m peito
Os brasileiros nem haviam entrado e os aplausos apareceram, apenas com os nomes expostos no telão. O locutor chamou “João Gomes Junior”: os gritos foram ensurdecedores, e mal deu para escutar o próximo nome, “Felipe França”. Um rápido silêncio ocorreu apenas no momento do início da prova dos 100m peito. O restante foi puro apoio, mas não foi suficiente para o pódio.
João estava na raia 1. Felipe, na 7. João usou a estratégia que chamou de “faca nos dentes”, e o maior esforço nos primeiros 50m fizeram-no passar em 4º (27s46). O brasileiro perdeu uma posição e finalizou a prova em quinto, com 59s31, pouco abaixo do tempo da semifinal (59s40).
“Em nenhum momento eu deixei de pensar numa possível medalha, mas saio com sensação de dever cumprido. Só tenho a agradecer, é minha primeira Olimpíada, com o quinto o tempo. Só aumenta a minha vontade de treinar mais e mais”, disse João Gomes Jr.
Já Felipe França passou mal, em oitavo, fazendo os primeiros 50m em 28s69. A ideia era fazer o esforço maior nos 50m finais, e de fato, o tempo de 30s69 só não foi melhor que o o do campeão da prova. Mas não deu para recuperar a ponto de chegar ao pódio. Felipe fechou a prova em sétimo, com 59s38.
“Passei um pouco fraco e atrás, e isso é difícil de buscar, mas treinei para a volta e voltei bem, só não foi o suficiente para uma medalha. Saí satisfeito e grato, pela pressão, por tudo que passei em Londres. Daqui, saio totalmente realizado”, disse.
França chegou a Londres 2012 como favorito ao ouro, mas não conseguiu passar da semifinal. O trauma passou no sábado (06.08) , quando avançou para a final com o sexto melhor tempo (59s35), tendo feito 59s01 na eliminatória.
- Felipe França teve uma primeira passagem abaixo do que está acostumado e ficou difícil recuperar na volta dos 100m peito. Foto: COB
O britânico Adam Peaty quebrou novamente o recorde mundial da prova, como havia feito na eliminatória. Ele venceu a decisão com 57s13. A prata foi para o sul-africano Cameron van der Burgh (58s69) e o bronze ficou com Cody Miller (58s87), dos Estados Unidos.
Recordes Mundiais
Além de Peaty, ainda na noite desta segunda a sueca Sarah Sjöström levou o público ao delírio ao bater o recorde mundial nos 100m borboleta com 55s48. A marca anterior também era dela (55s64), obtida no Mundial de Kazan, na Rússia, em 2015. Em segundo lugar, ficou a canadense de 16 anos Penny Oleksiak com 56s46, novo recorde mundial júnior. O bronze foi para Dana Vollmer (56s63), dos Estados Unidos.
A norte-americana Katie Ledecky, que já havia levado a prata no dia anterior no revezamento 4x100m livre, neste domingo subiu ao lugar mais alto do pódio, também com recorde mundial e sobrando na prova. Com 3m56s46, Ledecky baixou em quase dois segundos a marca anterior de 2014, que também era dela, e nadou mais de um corpo à frente das adversárias: a britância Jazz Carlin finalizou a prova em 4m01s23, quase 5 segundos depois de Ledecky. O bronze foi para Leah Smith, também dos Estados Unidos (4m01s92).
- Adam Peaty (GBR) e Katie Ledecky (EUA), dois dos atletas que bateram recordes mundiais no Estádio Olímpico de Esportes Aquáticos neste domingo. Foto: Getty Images
Carol Delmazo, brasil2016.gov.br